NOSSA MISSÃO: “Anunciar o Evangelho do Senhor Jesus à todos, transformando-os em soldados de Cristo, através de Sua Palavra.”

Versículo do Dia

Versículo do Dia Por Gospel+ - Biblia Online

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O evangelho pertence a uma denominação?

Martinho Lutero jamais pretendeu tornar-se o centro das atenções. Era um estudante de direito atormentado por uma angústia. Tinha consciência de que não conseguia ser o que Deus queria que ele fosse. Sabia-se endividado diante de Deus. Em 1505 ele entrou num convento com hábitos rigorosos para obter a certeza do perdão divino. Essa recomendação da igreja medieval dava a todos que a buscavam. Assim, abdicou ao mundo e submeteu-se aos exercícios espirituais com extremo rigor. No entanto, isso não aliviou sua angústia. Pelo contrário, a potenciou. Seu superior, não sabendo mais o que lhe recomendar, ordenou que se dedicasse ao estudo da Bíblia. Assim, em 1512, Lutero tornou-se professor de Bíblia numa universidade provinciana onde começou a dar aulas sobre os Salmos.

No preparo dessas aulas Lutero foi surpreendido por uma afirmação do Salmo 31: “Em ti, Senhor, me refugio; nunca permitas que eu seja humilhado; livra-me pela tua justiça”. Percebeu que o salmista não clamava “livra-me pela minha justiça”, mas que ele pedia a Deus “livra-me pela tua justiça”. Começou a se dar conta que a libertação da inclinação para o mal não resultava da justiça que nós produzimos. Descobriu que ela procede da justiça que Deus oferece gratuitamente por meio de Jesus Cristo. Quase 40 anos mais tarde o reformador recordaria o impacto deste aprendizado: “Dia e noite eu desejava entender Paulo em Romanos; noite e dia ponderei até perceber a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que o ‘justo vive pela fé’. Então eu entendi que a justiça de Deus é aquela pela qual Deus nos justifica na graça e pura misericórdia. Eu me senti completamente renascido e acolhido pelas portas abertas no paraíso. Toda a Escritura adquiriu um novo significado: se antes (a menção da) ‘justiça de Deus' me enchia de ódio, agora tornou-se indescritivelmente doce e amável. Esta afirmação de Paulo tornou-se para mim num portal do paraíso.”

Só em 1517 Lutero viria a público com este seu aprendizado pessoal. E ele o fez motivado por uma situação pastoral, pois encontrara um membro da igreja alcoolizado cuja confissão havia ouvido poucos dias antes. Quando Lutero questionou seu comportamento, o bêbado justificou-se, apresentando a indulgência, uma certidão emitida pela igreja que garantia perdão dos pecados a quem a comprava. Indignado, Lutero redigiu então as “95 Teses” sobre o verdadeiro arrependimento. Elas eram um roteiro para debater o assunto em sala de aula. Como de costume afixou-as na porta da igreja que funcionava como edital de avisos da faculdade. De lá as “95 Teses” viralizaram. Viraram panfleto impresso aos milhares. Em poucas semanas seriam conhecidas por toda Europa, de Roma a Londres, de Madrid e Paris a Praga.

É verdade que depois outros interesses se conectaram e, não poucas vezes, sobrepujaram esse propósito de restaurar a fé na boa notícia da salvação graciosa por meio de Jesus. Ainda que a Reforma tenha impactado a estrutura eclesiástica, interferido na política e na economia da Europa, não se pode esquecer que ela se originou desta resposta à pergunta pela certeza da salvação que afligia a muitos. Apenas esta aflição generalizada explica o impacto do testemunho da Reforma.

Por causa desse foco, nem Lutero nem qualquer outra liderança da Reforma – Zwinglio, Bucer, Menon, Calvino, etc –, postularam direitos autorais pela redescoberta da graça. Entenderam-se como meros instrumentos pelos quais Deus estava restaurando sua igreja. Lutero manifestou-se explicitamente sobre isso no prefácio da primeira edição alemã de suas obras: “Antes de tudo peço que não mencionem o meu nome e nem se chamem de luteranos, mas de cristãos. Quem é Lutero? A doutrina não é minha. Também não fui crucificado por ninguém. Em 1Coríntios 1 São Paulo não tolerou que se chamasse os cristãos de paulinos ou petrinos, mas (deveriam chamar-se apenas) cristãos. Como seria possível que filhos de Cristo fossem chamados pelo meu desgraçado nome, eu saco de vermes pobre e fedorento. Não seja assim, caros amigos, apaguemos todos os nomes partidários e sejamos (apenas) de Cristo, cujos ensinamentos temos. … Os cristãos não creem em Lutero, mas no próprio Cristo; (assim) abram mão de Lutero; apegue-se à palavra. [...] Não sou, nem quero ser o mestre de ninguém. Somente Cristo é nosso mestre.”

Ao aplicar a admoestação de Paulo à igreja em Corinto ao seu tempo, Lutero desafia também a nós a bebermos da fonte do evangelho e a perseverarmos na “obediência da fé” em Jesus Cristo (Rm 1.5 e 16.26). Só quem deixar de lado o sectarismo denominacional poderá anunciar a esperança em Cristo a quem vive na busca ansiosa pelo que dá sentido à vida. Assim lembramos o testemunho dos reformadores para “… livrar-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e correr com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.” (Hb 12.1-2).

Martin Weingaertner, nascido em Santa Catarina (1949), é professor e diretor da Faculdade de Teologia Evangélica em Curitiba (FATEV) e editor do devocionário “Orando em Família”. Seu casamento com Ursula foi abençoado com 5 filhos e 8 netos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Quem é grato no sofrimento?

Deus teve muitos filhos. Só um não pecou. Mas todos sem exceção sofreram. O sofrimento é universal!

A formatura do sofrimento é a morte. Não há morte sem doença, não há doença sem patologia, não há patologia sem agressão, não há agressão sem sofrimento.

Mas minha gente, como é difícil ser grato no sofrimento! A gente quer ser grato nas bênçãos, nas vitórias, nos sucessos.

O sofrimento em nossas cabeças entra como provação, período de tristeza, de perdas. Assim não nos parece lógico, à primeira vista, nos sentirmos gratos no sofrer.

Devemos lembrar que cristianismo não é masoquismo. O evangelho não nos ensina a desejar o sofrimento. Não somos gratos PELO sofrimento. Jesus só nos adverte que teremos aflições. Mas devemos ter bom ânimo! O sofrimento vai passar! Crer assim é combustível para a esperança!

Só é grato no sofrimento, quem conhece a Deus, seu caráter, sua soberania e seu amor. Portanto, quem não tem intimidade com Jesus, não pode ser grato no sofrimento. Aliás, ser grato no sofrimento soa ridículo para quem ainda não nasceu do “alto”.

Somos gratos, não pelo sofrimento, mas porque ainda que andemos pelo vale da sombra e da morte”, sabemos que o Senhor esta conosco! Sua vara e Seu cajado nos consolam. Somos gratos pela companhia do consolador. Sua promessa é que estaria conosco todos os dias.

Esta é a fé que nos sustenta. A fé que nos faz ver além da montanha. Ninguém esta preparado para o dia mal. Mas podemos nos abastecer nos “dias bons”.

Abastecendo nossa fé, ocupando nossos pensamentos com a certeza da Sua presença. Pequeninos peregrinos da vida de mãos dadas com o Rei do Universo! Que companhia maravilhosa! Com Ele ao nosso lado vamos superar o sofrimento tendo como bálsamo a gratidão!

• Paulo Brito é médico, músico e pastor presidente da Igreja Missionária Maranata. Pastoreia no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Em meio ao caos no ES, policiais militares oram pedindo “paz”

Nos últimos cinco dias, devido à greve dos policiais militares, o caos tomou conta das ruas do Espírito Santo. Somente na Grande Vitória, o número de mortes violentas subiu para 95 nesta quarta-feira, 8, confirma o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, Jorge Leal.
Com a situação fora de controle, desde segunda-feira (6), agentes das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança estão nas cidades capixabas para substituir os policiais militares. Mesmo assim, a situação não se normalizou.
Entre as dezenas de vídeos mostrando cenas de horror nas ruas, com saques e roubos e mortes, um deles chama atenção. Um grupo de pastores se reuniu em frente ao 9º Batalhão de Polícia Militar, em Cachoeiro, para fazer orações pelos policiais militares. De joelhos, cerca de 20 homens e mulheres, intercedem junto com os pastores, pedindo a Deus por “paz” e que abençoe o estado.
O mesmo grupo de pastores evangélicos havia se reunido na manhã desta quarta ao lado da Prefeitura Municipal de Cachoeiro, na Praça Jeronimo Monteiro, onde fizeram orações pela Cidade e pelo Estado, noticia a Folha do Espírito Santo.

Aprendi que ação de graças é uma coisa, adoração é outra

Nas orações de ação de graças, eu digo obrigado por tudo o que ele é e por tudo o que ele faz. Nas orações de louvor, eu deveria “elogiar” a Deus por tudo o que ele é e por tudo o que ele faz.

Embora tenha ensinado a minhas ovelhas e a meus alunos do Centro Evangélico de Missões que há várias modalidades de oração, tenho muita dificuldade em fazer orações de adoração.
As outras orações, de agradecimento, de confissão de pecados e pecaminosidade, de entrega de tudo ao Senhor, de desabafos e lamentações, de súplicas e de intercessão – faço com frequência e naturalidade. Tenho esforçado-me para aprender a louvar. Chego a pedir a Deus que me ensine a tributar-lhe louvores. Eu me desculpava, alegando que a oração de agradecimento é quase igual à oração de adoração. Hoje enxergo que uma não dispensa a outra. Nas orações de ação de graças, eu digo obrigado por tudo o que ele é e por tudo o que ele faz. Nas orações de louvor, eu deveria “elogiar” a Deus por tudo o que ele é e por tudo o que ele faz.
Em meus períodos de refúgio para escrever e para buscar a Deus mais intensamente, sozinho ou com minha esposa, numa praia do Espírito Santo, tenho feito algum progresso. A imensidão do mar, a imensidão do céu e a quantidade incontável de grãos de areia nas praias abriram para mim as portas da oração que adora.
Em dezembro de 2011, depois de ter louvado o Criador calma e silenciosamente enquanto caminhava pela praia, tentei colocar numa folha de papel os elogios que eu havia feito a Deus, desprovido de qualquer fingimento. Daí saiu o texto a seguir, que enviei para a minha família:
“Ó Deus, eu te louvo pela beleza e ordem da criação. Pela extensão do mundo que tu criaste. Pela quantidade de galáxias. Pelo incontável número de estrelas que compõe cada galáxia. Pelos outros corpos celestes que vagam no espaço cada um no seu lugar e diferente um do outro na forma, no tamanho e no destino.
Eu te louvo pelo nascer do sol, aquela bola de fogo que parece sair do mar. Porque ele vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Porque ele expulsa as trevas e o frio. Porque ele vai e volta. Eu te louvo pela pontualidade do sol na marcação da hora, do tempo e das estações. Eu te louvo pelo pôr do sol, quando ele se despede de um hemisfério e vai para o outro. Por aquele amarelo do sol, tão forte como o do ipê amarelo. Eu te louvo pela rotina do sol, com a qual eu não me enfado.
Eu te louvo pela lua, porque ela se presta a iluminar a terra na ausência do sol. Porque posso observar o crescimento da lua como se fosse o crescimento de uma criança: a lua nova (a infância), o quarto crescente (a adolescência) e a lua cheia (a idade adulta). E o movimento contrário, no mês seguinte: a lua cheia (o auge da vida), o quarto minguante (o envelhecimento) e a lua nova (a morte). Eu te louvo pelo luar na praia, no sertão e nas montanhas. Eu te louvo pelos poemas e pelas cartas de amor escritas sob o luar.
Eu te louvo pela primavera depois do inverno e pelo outono depois do verão e pelos intervalos entre uma estação e outra. Eu te louvo pelo frio e pelo calor e por aquele clima temperado entre os dois.
Eu te louvo pela beleza, pela cor, pelo perfume, pelo formato, pelo tamanho (minúsculo e gigante), pela variedade, pela quantidade e pela excentricidade das flores – elas nascem na terra, na rocha, nas fendas, na água, nas árvores, no deserto, no pântano, no jardim, no fundo do quintal, nos telhados, nas paredes, nos bueiros, nas estufas, na lama, no lodo, no monte de lixo, nas praias e nos vasos que fabricamos.
Eu te louvo pelas nascentes d’água, pelos filetes d’água, pelos córregos, pelos rios, pelos afluentes, pela água despejada em outro rio, no lago e no mar. Pela água que está sob a superfície da terra, pela água das geleiras, pela água em seus estados líquido, sólido e gasoso. Eu te louvo pela neblina, pela chuva e pelos temporais. Eu te louvo por aquele relâmpago que acende e apaga em apenas alguns segundos, pelo estrondo do trovão, pelas tempestades e pelo incrível arco-íris.
Eu te louvo pelas lavouras de trigo, café, feijão, arroz, cana-de-açúcar e soja. Eu te louvo pelo canteiro de verdura, pelos jardins, pelos pomares, pela mata, pelas florestas. Pelas árvores pequenas e pelas gigantes. Eu te louvo pela lenha, pela madeira, pelo carvão.
Eu te louvo especialmente porque foste tu que idealizaste tudo isso, que criaste tudo isso, que governas tudo isso e que sustentas tudo isso! O nome do Senhor seja louvado para sempre!”
No mesmo lugar, mas em uma ocasião posterior, fiz uma oração de louvor centrada em Jesus Cristo:
“Eu te louvo, ó Deus, pela promessa do Servo Sofredor, pela concepção sobrenatural de Jesus, pelo Verbo que se fez carne, pela chegada do Deus Conosco.
Eu te louvo, ó Deus, tanto pela humanidade como pela divindade de Jesus, por sua simplicidade, por suas palavras, por suas curas, por suas interferências abençoadoras, pelas ressurreições da filha de Jairo, do filho da viúva de Naim e do irmão de Maria e Marta.
Eu te louvo, ó Deus, porque ele foi tentado em todas as coisas à nossa semelhança com a diferença de ter resistido a cada tentação. Eu te louvo porque ele não transformou pedras em pães, não pulou do pináculo à calçada do templo, não dobrou os joelhos diante daquele que fará isso em relação a ele, não constrangeu o Pai a tirar de sua mão o cálice da morte e não desceu espetacularmente da cruz.
Eu te louvo, ó Deus, porque o sacrifício de Jesus na cruz foi salvífico, porque, ali e naquela sexta-feira, ele perdoou todos os nossos pecados e anulou definitivamente a dívida que tínhamos contigo, pregando-a na cruz. Eu te adoro porque houve um tremendo sinal no céu, do meio-dia até as 3 horas da tarde, quando ele inclinou a cabeça e morreu. Eu te louvo, porque aquela cortina que separava o absolutamente santo do absolutamente profano rompeu-se de alto a baixo no momento exato quando Jesus entregou o seu espírito em tuas mãos.
Eu te louvo, ó Deus, porque aquelas mulheres da Galileia tiveram de levar de volta para casa os perfumes e óleos que passariam no corpo de Jesus. Eu te louvo porque o túmulo estava vazio e porque, naquele primeiro dia da semana e de salvação consumada, Jesus apareceu aos discípulos em diferentes horários e lugares. Eu te louvo por sua ascensão aos céus com as mãos abençoadoras levantadas.
Eu te louvo, ó Deus, porque Jesus não demorou mais de quarenta dias para cumprir a promessa de que não nos deixaria órfãos, mas enviaria outro Paracleto.
Eu te louvo pelo barulho do vento, por aquilo que parecia línguas de fogo e que pousava sobre a cabeça de cada uma das 120 pessoas presentes, inclusive Maria Madalena e os irmãos e irmãs do próprio Senhor, recentemente convertidos.
Eu te louvo, ó Deus, porque aquele que nasceu numa estrebaria, que não tinha onde reclinar a cabeça nem duas dracmas para pagar o imposto do templo, desde então, está assentado à tua direita e colocando progressivamente debaixo de seus pés todos os poderes hostis à tua glória e à glória de teu povo, inclusive – e por último – a morte, o mais humilhante de todos.
Eu te louvo, ó Deus, por tua volta em poder e muita glória, pela ressurreição dos mortos e súbita transformação dos vivos, pela bem-sucedida separação do trigo e do joio, pelo louvor universal, pelo juízo final, pelos novos céus e nova terra, pela plenitude da salvação.”
Parece que eu vou indo bem na adoração. Estou quase pronto para fazer a mesma citação do salmista: “Que todo o meu ser te louve, ó Senhor! A vida inteira eu louvarei o meu Deus, cantarei louvores a ele enquanto eu viver” (Sl 146.1-2).
Só faço um pequeno acréscimo: “Não somente enquanto eu viver, mas também depois de minha morte, quando a noção de tempo acabar”.

Texto originalmente publicado na edição 345 de Ultimato

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O crente politicamente correto

Tenho observado o meio cristão da nossa época e como nos deparamos com irmãos e irmãs que procuram se moldar mais aos padrões do “politicamente correto” do que ao padrão das Escrituras. Muitos vivem suas vidas sob a égide da opinião alheia, inclusive de ímpios, do que sob a baliza e preceitos da Palavra de Deus.
Ao analisar a vida de alguns Heróis da Fé, e não falo de heróis como se estes homens fossem superpoderosos, mas sim como homens que, em meio à decadência espiritual de seu tempo, deram verdadeiro testemunho de ousadia, fé e temor de Deus. Passo a citar alguns desses homens que foram verdadeiros arautos em seu meio, e convido os queridos leitores a uma reflexão profunda quanto às suas atuais convicções, valores e ações. É bem verdade a máxima que diz: “Nossos princípios regem nossos valores; nossos valores regem nossas crenças e nossas crenças regem nossas atitudes”.
Então, o que falar de Jerônimo Savonarola? Este gigante viveu em uma época em que a depravação moral estava pulsando no coração do povo. Entretanto, não se acovardou! O politicamente correto seria falar cuidadosamente e com excessivos eufemismos; todavia, este homem pregou com poder e autoridade a necessidade de arrependimento àquele povo que vivia de forma contumaz na prática do pecado. Ora, o perigo do politicamente correto é deixarmos de falar a verdade das Escrituras, por receio de o ouvinte simplesmente não gostar. Irmãos, a autoridade é das Escrituras! Oremos e, com amor, digamos toda a verdade contida nela.
Não poderia deixar de falar de Jonathan Edwards. Este servo fiel pregou um dos sermões mais conhecidos e impactantes da História do Cristianismo. O famigerado sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado” foi pregado depois de 3 dias de intensos jejuns e orações. Ao subir ao púlpito, dizem os biógrafos, seu rosto brilhava com uma luz que não era desta Terra. Durante o sermão, os ouvintes se agarravam às colunas e aos bancos da Igreja, vez que viam o chão se abrindo e o inferno abaixo de seus pés. Mas será que Jonathan Edwards foi politicamente correto? Será que ele falou com ressalvas ao povo quanto aos seus pecados e necessidade de arrependimento? Obviamente que não! Ele foi, na verdade, autêntico e ousado nas Escrituras Sagradas. E Glória a Deus por isso!
Para não me alongar demais neste artigo, falarei, por fim, de George Whitefield. Este valoroso homem de Deus, considerado como o “príncipe dos pregadores ao ar livre”, certa feita, depois de orar de joelhos diante de uma multidão que ansiosa o aguardava, proclamou qual versículo seria pregado: “É ordenado aos homens que morram uma só vez, e depois disso vem o juízo.” Hb 9:27. Neste momento, ouve-se um agudo grito na multidão! Um homem acabara de cair morto. Novamente George Whitefield lê o mesmo texto, e, em seguida, ouve-se outro grito, e outra pessoa cai morta. Ao invés de se apavorar com o ocorrido, George Whitefield prega com autoridade e poder e conclama o povo ao arrependimento de seus pecados. Mas será que continuar pregando após duas mortes seguidas seria o politicamente correto? Com toda certeza que não!
Quero, enfim, dizer que não precisamos ser politicamente corretos. Precisamos ser autênticos em nossa fé, não deixando de levar a verdade de Cristo àqueles que nos ouvem, sempre submissos ao Espírito Santo de Deus, perseverantes na oração, firmes na Palavra e ousados na pregação do Evangelho de Jesus! Não deixe de pregar o Evangelho e não se molde aos padrões desse mundo. Muitos pregadores e irmãos piedosos estão “amordaçados” porque lhes é imposto uma falsa verdade de que as Escrituras devem ser amenizadas para que as pessoas não fiquem zangadas. Ora, quem convence é o Espírito Santo, e sem confrontar o pecado esse mundo vai continuar achando que tem Deus, ainda que não se arrependendo de seus maus caminhos.
Que Deus os abençoe grandemente.


Helio Roberto Silva
Casado com Hellen Sousa e pai da princesa Acsa Sousa. Servidor Público Federal, graduado em Teologia e em Gestão Pública. Diácono e Líder do Ministério de Acolhimento da Igreja Batista Cristã de Brasília.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Concurso Bombeiro Pernambuco 2017 (CBMPE)

Saudações, futuros bombeiros militares do estado de Pernambuco! Empolgados com o novo concurso?
Para quem ainda está voando, a boa nova é que o Corpo de Bombeiros Militares de Pernambuco (CBMPE) abriu edital com 300 vagas de nível médio, para soldado Bombeiro Militar (salário deR$2.319,88). Veja quais são os requisitos de ingresso:
  • Ter a nacionalidade brasileira, e no caso de nacionalidade portuguesa, estar amparado pelo estatuto de igualdade entre brasileiros e portugueses, com reconhecimento do gozo dos direitos políticos, nos termos do parágrafo 1º do art. 12 da Constituição Federal;
  • Estar em dia com as obrigações militares, em caso de candidato do sexo masculino;
  • Estar quite com as obrigações eleitorais;
  • Não possuir antecedentes criminais;
  • Estar em gozo de seus direitos civis e políticos;
  • Ter conduta civil compatível com o cargo bombeiro militar, devidamente verificado em investigação social a cargo da Secretaria de Defesa Social;
  • Ter aptidão para a carreira militar do Estado, aferida através de exame de habilidades e conhecimentos, exames médicos, exame de aptidão física, avaliação psicológica, investigação social e o curso de formação profissional;
  • Não acumular cargos, empregos ou funções publicas, salvo nos casos constitucionalmente admitidos;
  • Possuir escolaridade mínima de ensino médio completo, reconhecida nos moldes da legislação federal;
  • Ter, no mínimo, 18 (dezoito) anos completos na data de ingresso na carreira de militar do Estado e, no máximo, 28 (vinte e oito) anos na data de inscrição no concurso, considerando-se esta idade até o dia anterior à data em que o candidato completará 29 (vinte e nove) anos;
  • Ser habilitado para a condução de veículos automotores, no mínimo na Categoria B;
  • Possuir altura mínima de 1,65m para homens e altura mínima de 1,60m para mulheres.
Você está dentro de todos esses critérios? Caso não esteja, é bom providenciar cada um deles. A prova do Concurso CBMPE ocorrerá no dia 28 de maio, e os seguintes assuntos serão cobrados:
  • Língua Portuguesa
  • Conhecimentos de Informática
  • Matemática
  • Raciocínio Lógico
  • Física
  • Biologia
  • Direito Constitucional
  • Atualidades
  • História de Pernambuco

O que faz o Soldado Bombeiro de Pernambuco
É bom, desde já, você ficar sabendo qual será sua futura missão: Executar as tarefas inerentes ao cargo, sendo capaz de aplicar procedimentos de Salvamento, Combate a Incêndio e Atendimento Pré-Hospitalar, realizar vistorias técnicas, e ser capaz de realizar tarefas variadas, reconhecendo as condições de segurança, a cena e a situação da ocorrência. Ter capacidade de utilizar adequadamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPI).
E aí? Está preparado?

Fonte: Concurso Policial

A Torre de Babel e a Trump Tower: o presidente dos Estados Unidos tem medo de quê?

O mundo se agitou com a primeira semana de Donald Trump na Casa Branca. Estamos em um novo contexto e o século 21 parece viver uma nova ordem mundial. Muitos têm predito o presente século como um dos mais confusos da história. A eleição de Trump e seu governo colocam novos desafios à vivência da fé cristã, nos Estados Unidos, na América Latina e em todo mundo. Os cristãos, diante destes contextos complexos, precisam de uma fé sábia que dialogue e se engaje, lendo o que acontece no mundo sob uma ótica cristã e encarnando a presença amorosa de Cristo.

O evangelho tem muito a dizer sobre as discussões que o início do governo Trump tem explicitado. Gostaria de citar três desafios para que nos mantenhamos atentos nesta transição cultural. Apesar de as questões serem muitas e por demais intricadas, ressalto aqui algumas que considero fundamentais em nossa resposta evangelical: primeiro, o tema da segurança individual e a compaixão cristã; em segundo lugar, o problema do pseudo-evangelho e a necessidade de um cristianismo radicalmente integral; e por último a reordenação dos nossos amores a Deus em uma era de narcisismo na “cidade dos homens”.

Trump tem medo de quê?


Para Donald Trump, o mundo é um lugar inseguro, com um senso iminente de perigo. Quando menino, seu pai o levava consigo para cobrar o aluguel dos inquilinos no Brooklyn. Donald perguntou uma vez por que seu pai sempre se mantinha ao lado, afastado da porta, após tocar a campainha. A resposta foi que às vezes os inquilinos atiravam através da porta e eles precisavam se proteger. A visão de mundo que lhe foi passada é explicitada por este episódio: Donald foi forjado para ser vigilante e buscar a maior segurança possível diante das ameaças. Proteger-se significa salvar-se. Um muro na fronteira com o México e evitar refugiados de países muçulmanos expressam sua necessidade de abrigo e proteção em um mundo cada vez mais global e violento.

Trump parece querer reviver uma torre de babel contemporânea. Sua “Trump Tower” (Torre Trump), construída em 1983, alavancou sua fortuna. Assim como a história da torre de Babel em Gênesis 11, seu projeto de poder é uma torre auto-suficiente, que anula a diversidade das línguas. Ao invés de cumprir o mandato cultural de povoar e abençoar toda a terra (Gênesis 1:28), constrói uma cidade para que seu nome seja grande. “Faça a América grande de novo”, disse seu lema de campanha. Assim como na torre de Babel, Trump anula a diversidade, e valoriza o que é semelhante. Nesta inflexão, há uma política que não permite a reconciliação, pois a identidade se constitui em um povo negando o lugar do outro povo.

Mas a igualdade estéril não era o projeto de Deus em Gênesis 11. Deus percebe o potencial destruidor desta unidade monolinguística para a corrupção e o pecado; então espalha os seres humanos pelo mundo, em diferentes línguas, colocando-os em uma situação de insegurança na qual dependeriam Dele. A história da torre de Babel ressalta que, apesar dos homens quererem torres e cidades monotônicas, Deus ama a diversidade de sua criação, tanto das espécies, a biodiversidade, quanto a diversidade dos povos.

A “segurança” como um ídolo

Uma tentação, portanto, aos cristãos no século 21 é seguirmos a mesma visão da torre e priorizarmos a segurança e proteção individual diante do que nos ameaça. Esquecemos, assim, da compaixão do Reino e das exigências do discipulado em estendermos hospitalidade aos refugiados, sejam eles mancos, aleijados, cegos ou pobres (Lucas 14:13). O risco desta mentalidade se alastrar entre nós é ressaltada pelo fato de que muitos eleitores evangélicos brancos votaram em Trump, em busca de um protetor, um salvador em um mundo multirracial e violento. Nós no Brasil, também corremos o risco de viver fechados e querendo proteção em nossas trincheiras, em uma sociedade brasileira que tem se tornado insegura, secularizada e se afastando de suas raízes cristãs.

Se nós cristãos corremos o risco de fazer da “segurança” um ídolo, precisamos lembrar que Cristo não tinha abrigo, era um homem sem muros que não tinha onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20). Por amor, escolheu a cruz. Seus braços abertos e seu sangue doam vida ao mundo e acolhem o estrangeiro, a samaritana, o órfão, o negro. Cristo estende graça aos que achávamos inimigos, tornando-os próximos. Cristo responde o anseio do coração humano por paz e segurança sem eliminar o estrangeiro: ao invés de construir um muro, ele derrubou o muro da inimizade na cruz (Efésios 2:14). A verdadeira paz vem da convergência de todas as coisas em Cristo. Achar segurança fora Dele é perder o coração no altar da idolatria e confiarmos nos muros de nossas casas, que por sinal, no Brasil, parecem cada vez mais altos. Assim como nos Estados Unidos, no Brasil, tendemos a querer os nossos muros da proteção, da “estabilidade” financeira, da ordem e do progresso, e nos afastamos cada vez mais da compaixão aos necessitados, respondendo ao medo e não ao Chamado.

A era dos mártires, nos primeiros 4 séculos, nos ensinou que o evangelho é tão precioso que por ele vale a pena correr riscos. Exemplos históricos maravilhosos foram deixados por aqueles que vieram antes de nós na igreja perseguida dos primeiros séculos. Meninas abandonadas nos lixões eram adotadas nas famílias cristãs, pois toda vida era valorizada e não poderia ser perdida, independente da sua posição social. Nas pestes, como em Cartago no século III, os cristãos não temiam a doença e ainda ajudavam os contaminados. Os cristãos não são escravos do medo, mas são presença corajosa que se arrisca em serviço ao mundo sofrido.

Coca-Cola sem cafeína, cigarro sem nicotina e o evangelho light de Trump

Após abordarmos a dinâmica entre insegurança e compaixão, o segundo aspecto é a necessidade de um cristianismo radicalmente integral, em detrimento de um pseudo-evangelho. Este evangelho incompleto se expressa escolhendo partes que nos agradam e tirando o que nos incomoda. Parte do problema é que não nos submetemos mais a todo evangelho, mas fazemos uma parte do evangelho nossa bandeira, e abandonamos o resto. A cultura light da sociedade de consumo em que vivemos, é mestre em escolher o combo que nos agrada, e assim perdemos o essencial. Coca-Cola sem cafeína, cigarro sem nicotina, evangelho sem cruz. Os evangélicos que em sua maioria votaram em Trump o fizeram, dentre outras razões, porque ele é contra o aborto. Trump tem um elemento que os cristãos valorizam. Mas os teólogos norte-americanos que não sucumbiram a Trump têm afirmado que aqueles que são contra o aborto precisam ser a favor de toda a vida, inclusive a vida dos refugiados, que Trump insiste em afastar. Se vivemos um evangelho light, ressaltando uma parte que nos interessa, nos tornamos susceptíveis à ideologia e cegamente somos massa de manobra do poder. As ideologias se baseiam em um bem, mas se desviam da verdade ao atribuir a esse bem um status de primazia, esquecendo do restante. Nossa postura como cristãos precisa ser uma humildade atenta, nos perguntando sobre o que falta de evangelho nas nossas viseiras culturais.

Parte da ambiguidade da política é que não concordamos com todas as propostas dos candidatos, e temos que escolher as partes que nos interessam mais. Mas se votamos como cristãos, precisamos conhecer tanto o evangelho todo quanto os condicionamentos que nossa visão cultural impõe. Reconheceremos que ideologias políticas são tentativas limitadas de reproduzir um projeto de poder na ordem social. Um possível bem-intencionado valor cristão no contexto político brasileiro é a defesa da família. Mas se achamos que defender a família tradicional é igual a defender todo o evangelho, podemos tomar a parte como se fosse o todo, e esquecemos que o evangelho é a radicalidade de sermos filhos de Deus, adotados em uma família maior que a nossa de sangue. Nossa visão do evangelho do Reino precisa ter Cristo no centro, não somente como Salvador, mas como Senhor, pois a soberania de Cristo se estende sobre todos os aspectos de nossa vida.

O narcisismo é a marca do nosso tempo

Um terceiro aspecto que merece nossa atenção é para onde direcionamos nosso amor. Um desafio importante é a reordenação dos nossos amores e afetos em uma era de narcisismo. Entrevistei em 2015, o Dr. James Houston, professor aposentado do Regent College, quando ele veio ao Brasil. Este sábio velhinho me dizia que o narcisismo iria destruir a civilização ocidental. Sua fala hoje mais parece uma previsão, pois não sabíamos que teríamos Donald Trump na Casa Branca. Como Houston diria, a eleição do Trump parece ser um sintoma grave da derrocada da civilização ocidental.

Howard Gardner, psicólogo em Harvard, sugere que Trump é notadamente narcisista. As pessoas com traços narcisistas amam a si mesmas, são auto-centradas e desejam que outros as admirem. O narcisismo pode ser uma máscara que cobre uma velada insegurança sobre si mesmo. O problema, entretanto, é que cada vez mais, amamos menos a Deus e mais a nós mesmos: o narcisismo é marca de nosso tempo.

Olhemos para um dos pais da igreja que viveu em um tempo parecido conosco. Santo Agostinho viveu na derrocada do Império Romano, assim como nós vivemos uma época de desintegração da sociedade ocidental. Diante do amor mal direcionado a um império em derrocada, ele escreve uma de suas obras-primas, a “Cidade de Deus”. Nesta obra, ele afirma que dois amores fundaram duas cidades, uma fundada por amor a Deus e outra por amor a si mesmo. “Dois amores criaram duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial.” (De Civ. Dei, XIV, 28). Apesar da diversidade de culturas e nações, o maior abismo é entre a cidade de Deus e a cidade terrena, entre o amor a si mesmo e o amor a Deus. Amores egoístas que visam poder e glória movem os seres humanos, e subjazem muitos projetos políticos e militares. O cristão, entretanto, como um peregrino à cidade celestial, se atenta ao amor na relação com Deus, mora e habita Nele.

O processo histórico é o palco no qual o Reino de Deus, na sua semente de mostarda, na fraqueza e não no palácio, já criou raízes neste mundo. Os peregrinos à cidade celestial podem participar da vida política na cidade terrena com a esperança de habitarem em Deus e sua cidade cultivando as virtudes do amor, e ao mesmo tempo, trabalharem pela cidade terrena enquanto esperam a consumação da história.

Termino buscando lembrar-nos de nossa missão. Jesus viveu entre seus inimigos; os cristãos vivem em uma sociedade que é hostil ao evangelho. Porém, mesmo como exilados, buscamos a paz e a prosperidade da cidade para a qual Deus nos enviou (Jeremias 29:7). Os cristãos fertilizam a história com a compaixão do Reino, a humildade de buscarmos um evangelho integral, buscando peregrinar na cidade dos homens com amores reordenados a Deus.

o poder político não tem a última palavra

Os cristãos resistem subversivamente ao afirmar que o poder político humano é limitado e não tem a última palavra. Aguardamos cantar o precioso cântico do Apocalipse: “o reino deste mundo se tornou do nosso Senhor e Cristo e Ele reinará para sempre” (Apocalipse 11:15). Enquanto este dia não chega, nos submetemos a Ele e amamos não a nós mesmos, mas Àquele que no fim da história, reunirá gente de todos os povos, tribos, línguas e nações. Esperamos uma diversidade étnica sem par, em uma nova cidade, onde descansaremos Naquele que é, sempre foi e eternamente será a nossa única segurança.

• Davi Chang Ribeiro Lin é psicólogo clínico, mestre em Teologia pelo Regent College (Canadá) e doutorando em Teologia (FAJE). É pastor na Comunidade Evangélica do Castelo, em Belo Horizonte (MG).

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A Igreja de Jesus

A Igreja de Jesus não promove a intolerância e o ódio contra o diferente. A Igreja de Jesus não vende tijolo no céu, caneta ungida, toalha abençoada, lenço do poder, manto libertador, etc. A Igreja de Jesus não pede para os fiéis beberem um copo d"água que estava sobre a televisão ou amarra uma fitinha no braço. A Igreja de Jesus não precisa de canais de televisão e não pede dinheiro para mantê-los.

A Igreja de Jesus não substitui o sangue do Cordeiro derramado na cruz do Calvário por uma camisa manchada com o sangue de um "apóstolo". A Igreja de Jesus não constrói templos luxuosos em que há uma lista de restrições sobre os quais podem ou não entrar. A Igreja de Jesus não promove talk shows com demônios. A Igreja de Jesus não faz campanha que visa a prosperidade dos participantes. Outras igrejas, de outras pessoas fazem isso, mas não a Igreja de Jesus.
A Igreja de Jesus (seus discípulos) não tem tempo para essas coisas. A Igreja de Jesus está muito ocupada amando, abrindo as portas, ensinando, perdoando, cuidando, convivendo, suprindo, doando e transformando a realidade de muitas pessoas e comunidades. E, a Igreja de Jesus sempre faz tudo em benefício do próximo, nunca de si mesma. A Igreja de Jesus não vive para si, até porque o próprio Jesus não viveu para si, mas para dar a sua vida em favor de muitos (Marcos 10.45).

A Igreja de Jesus não compactua com a pós-modernidade, em que tudo é relativo, até porque ela foi ensinada pelo próprio Jesus que o ‘sim’ deve ser sempre ‘sim’, e o ‘não’ deve ser sempre ‘não’; e que o "depende da situação" é do Maligno (Mateus 5.37). A Igreja de Jesus não desrespeita o objeto de fé de outras pessoas, tampouco cria para si outros objetos, pois a sua fé está unicamente na pessoa de Jesus. A Igreja de Jesus não se preocupa em ficar rica porque ela já foi alertada que "o amor ao dinheiro é raiz de todos os males" e que "algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé" (1 Timóteo 6.10).

Cabe a nós, urgentemente, fazermos bom uso de nossa consciência e inteligência para escolhermos de qual igreja vamos querer fazer parte; se faremos parte das igrejas cheias de artefatos, crendices e corrupção; que mente, engana, oprime ou se faremos parte da Igreja de Jesus que ama, que produz o fruto de justiça e que é guiada pelo Espírito da Verdade.
Eu escolho fazer parte da Igreja de Jesus, e orar por todas as outras, afim de que, elas tenham seus olhos abertos, e possam também perceber a grandeza do amor e poder de Jesus, o bom pastor.


Ranieri Vicente Da Costa
  Bauru - SP

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Orar no monte ou na igreja faz com que a oração tenha mais poder?

PerguntaTenho alguns amigos que gostam muito de orar no monte. Segundo eles orar lá no monte é diferente, é algo muito mais poderoso do que orar apenas em casa. Eu gostaria de saber se isso existe mesmo, se a oração feita em um monte ou na igreja tem mais força que a oração feita em casa, por exemplo.

Muito oportuna sua pergunta, já que hoje está voltando com muita força uma prática de tempos atrás, onde as pessoas afirmavam que orações feitas no monte são diferentes, são mais poderosas e até mais ouvidas por Deus do que orações feitas em outros lugares.



Mas será que isso é bíblico? Vamos analisar e compreender a questão:

A oração em regiões de montanhas era muito comum entre o povo judeu, principalmente por causa da geografia de seu território que favorecia tal prática devido à quantidade de montes. Outro fator interessante foram as grandiosas coisas que Deus fez e que envolviam os montes. Por exemplo, os dez mandamentos foram dados a Moisés no Monte Sinai. Elias venceu os 450 profetas de Baal no Monte Carmelo, quando Deus mandou fogo do céu ali. O templo de Salomão também foi construído nas regiões montanhosas de Jerusalém. Vemos também Jesus várias vezes usando os montes como local de suas orações: “E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar à parte. E, chegada [ já ] a tarde, estava ali só.” (Mt 14:23)

Por esses e outros motivos, os montes aparecem na Bíblia com muita frequência relacionados a momentos especiais e poderosos de comunhão com Deus. Parece óbvio entender que, por causa desses fatos bíblicos, os montes teriam “algo de especial” para oferecer em termos de comunhão com Deus e poder. É o que muitos entendem e, por esse fato, estão sempre buscando montes para orar tentando alcançar um poder maior em suas orações. Já vi muitos pastores na Internet e na TV coletando nomes para levar ao monte a fim de interceder e prometendo mais poder nesse tipo de oração.

Porém, a Bíblia não aponta que lugares concedam mais poder a oração. Ou seja, não há nada na Bíblia que diga que no meu quarto a oração é mais fraca do que em um monte. Ou que se eu orar na igreja minha oração será atendida, mas se eu orar na sala de casa não será.

Interessante notar que quando Jesus orientou seus discípulos a respeito da oração usou a figura do quarto como exemplo de um bom lugar para orar: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.6). É evidente que Jesus não estava aqui apontando que lugares conferem poder a oração. Ele estava tratando o caráter de comunhão e verdade entre o que ora e Deus. E também estava cutucando os hipócritas que oravam com o fim de serem vistos e tratados como mais espirituais que os outros. O foco de Jesus era a forma correta de orar e não lugares. Apesar de gostar de orar no monte e em lugares solitários, Jesus nunca atribuiu poder aos lugares, mas ao exercício da fé dos que oravam.

Só a título de curiosidade temos registrado na Bíblia orações em diferentes lugares: No cenáculo (At 9.40); A beira mar (At 20.36-38); Dentro da água (Lc 3.21); No terraço de uma casa (At 10.9). Também podemos destacar que a oração modelo dada por Jesus, o Pai Nosso, não apresenta indicações de lugares para ser realizada.

Dessa forma, concluímos que lugares não conferem qualquer status de poder a oração. É obvio que lugares proporcionam experiências melhores ou piores para alguma prática. Por exemplo, andar de carro é definitivamente melhor em um autódromo que em uma rua esburacada. Assim, montes e outros lugares cercados de natureza, proporcionam uma atmosfera de paz e tranquilidade que favorece a nossa comunhão com Deus e nosso foco. Mas esse fato não determina que uma oração seja ou não “forte”.

A oração sincera de uma pessoa a de Deus, independente de lugar, será ouvida pelo Senhor, que decidirá e dará sempre a última palavra em sua resposta. Como nos disse bem Tiago: “…Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tg 5:16).

Fonte: EVANGELHO PURO E SIMPLES 

Os mortos não morrem!

Em um dos periódicos semanais – Isto é 2455 – 28/12/16 – pág. 29 – acabo de ler a respeito da existência de uma mansão, sobrado, com uma torre na parte superior central e outras, menores, nas laterais.

Esse sobrado é blindado à prova de balas de alto calibre e é um mausoléu com vários túmulos de traficantes assassinados; - OS MORTOS NÃO MORREM - assim a blindagem não é para eles, mas para outros chefes do tráfico que os visitam.

[Transcrevo o texto da revista: "Tráfico – Mausoléu Mansão – Túmulos de dois andares com vidros à prova de balas? Mas se o morto está morto, quem vai matar o morto? Os vidros são para proteger os vivos que visitam esses mausoléus no noroeste do México: comparsas de narcotraficantes, que estão neles sepultados. Os túmulos têm ainda sala de estar e ar condicionado."] (sic).

Não aprecio falar sobre este assunto, a morte, embora não a tema, e em um dos meus recentes artigos fiz comentários sobre isso, não muito à vontade tendo em vista que me posiciono, sempre, a favor da vida; a morte causada por violência [tráfico, aborto, guerras, etc.] é crime abominável.

Vivemos em um mundo em que as pessoas, egoisticamente, querem que tudo gire em torno dos seus próprios umbigos, é o culto ao "eu", a egolatria querendo exercer os seus "direitos", mesmo quando invadem o espaço do direito alheio.

Falei, também, em artigo anterior, que todos são iguais perante a lei, tendo os mesmos direitos que os nossos semelhantes; é o que nos garante a Declaração Universal dos Direitos da Humanidade e as Constituições dos países democráticos; nos são garantidos, também, o livre direito de pensamento bem como o direito à livre expressão de nossos pensamentos.

Na verdade, isso é quase letra morta, visto que o desrespeito, face à impunidade, é que solapa o nosso dia-a-dia.

Como um homem do Direito, da Ciência do Direito, e como Cristão, entendo que grande parte da humanidade aceita que a legislação vigente [civil, comercial, criminal, constitucional, institucional, ética, social, moral, internacional] que rege todo o inter-relacionamento dos vários segmentos da sociedade, tem como "célula-mater" a Palavra de Deus, o Deus dos cristãos e de Israel [a Bíblia Sagrada].

O Senhor Jesus disse: "Eu vim para que [vocês] tenham vida e vida em abundância" (Jo. 10 10b), mas não imaginávamos que temos que viver "aprisionados" dentro de nossas casas para nos livrarmos da violência; até a bandidagem está se auto-protegendo com a construção de moradias [bunkers] com alto nível de segurança.

Creio, ainda, que tudo isso está acontecendo face ao "jeitinho", à flexibilização, à relativização das normas, resultado direto da "serpentinização" do que Deus disse: "não é bem assim" dizem quase todos como o fez o diabo, travestido de serpente, no Jardim do Éden.

Falei recentemente sobre a escolha da palavra do ano 2016, destacando "Pós-Verdade" [leia esse meu artigo], já escolhida pelos estadunidenses; ontem (26) foi divulgada a escolha brasileira [é a primeira vez que o Brasil participa] e a palavra do ano foi "INDIGNAÇÃO" – o povo está, de fato, indignado com a podridão que vem sendo descoberta, investigada, processada, julgada e penalizada como nunca ocorreu antes na história brasileira, quiçá mundial.

O Senhor Jesus fez vários apelos para pessoas que poderiam se juntar a Ele no Ministério de Evangelização; um homem, todavia, deu uma resposta que me foi marcante, pois aprendi sobre um costume da época e daquele povo.

Ele respondeu: "eu não posso ir porque tenho que enterrar meu pai", e o Senhor Jesus lhe disse: "Deixe que os mortos enterrem os seus próprios mortos (Mt. 18 22).

Era costume os filhos, mesmo casados, não saírem de casa enquanto não enterrassem o pai [patriarca da família].

Foi aí que o Senhor Jesus, para testar a fidelidade do convidado, deu a mencionada resposta, que era para os mortos [espiritualmente] enterrarem os seus próprios mortos.

Nota de pé de página da Bíblia Vida Nova – da SBB – a respeito do referido versículo: "Para o judaísmo era um dever sagrado, trazendo galardão nesta, como na vida futura. Deixar aos mortos... – sempre haverá mortos espirituais (Ef. 2 1) que não sentirão qualquer lealdade para com Cristo e que cuidarão das responsabilidades terrenas."

Também a nós, o Senhor Jesus deixou uma recomendação muito importante: "Buscai, pois, em PRIMEIRO LUGAR o reino de Deus e sua justiça e as demais coisas lhe serão acrescentadas" (Mt. 6 33).

OS MORTOS NÃO MORREM – mas nós, os vivos, estamos sempre à mercê de sermos atingidos, pois "O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (I Pe. 5 8); temos pois que nos blindar, como ensina a Palavra de Deus:

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo" (Ef. 6 11 - leia até o versículo 20 para entender o que é a "armadura de Deus").

 Edmar Torres Alves
  São Paulo - SP

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Concursos para PM e bombeiros acontecem até abril


O governador Rui Costa anunciou na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa que o concurso para os bombeiros e Polícia Militar da Bahia, anunciado no ano passado, acontece até abril. Serão duas mil vagas para soldados da PM, 60 para oficiais, 750 vagas para soldados do Corpo de Bombeiros e 30 para oficiais da mesma corporação. O certame será para repor os servidores que vão se aposentar ou estão prestes a fazê-los. 
Para melhorar a infraestrutura aos policiais, ele anunciou também a troca de todas as viaturas da Polícia Militar e da Polícia Civil e o investimento de 260 milhões em ampliação do videomonitoramento em salvador. 
Fundo PenitenciárioEntre os projetos prioritários a serem enviados pelo Executivo para a Assembleia Legislativa este ano está a criação de um Fundo Penitenciário. O governador anunciou que tem o objetivo de igualar o número de presos ao de vagas na Bahia, apesar de alegar que o estado é a unidade federativa do Brasil com a menor proporção de presos e vagas. 
"Estamos finalizando a abertura de 5.035 novas vagas no sistema prisional baiano", apontou o governador. Quatro presídios do estado estão construídos e nos últimos ajustes para o funcionamento e, juntos tem capacidade para cerca de duas mil vagas. Atualmente, o déficit de vagas no estado é entre duas e três mil vagas.
Ainda na questão penitenciária, o governador anunciou que vai investir mais em condições para a aplicação de penas alternativas, evitando que o preso que cometeu crimes de menor gravidade se misture com aqueles envolvidos no crime organizado. Ele salientou que o estado permite que em 16 cidades presos cumprem penas alternativas prestando algum serviço público, sob monitoramento do estado.
Integração com a populaçãoDestacando os avanços que houveram na relação entre a polícia militar e a população civil com a implantação das Bases Comunitárias de Segurança, Rui revelou que vai aprofundar mais esta relação através da implantação de centros olímpicos no interior do estados abertos à comunidade em dez quarteis da PM.  "Com isso chamamos a juventude para a prática esportiva e  integramos nossa polícia com a comunidade". 
O governador revelou que as reuniões do Programa Pacto pela Vida serão realizados no interior do estado. Segundo Rui, a medida visa reduzir os índices de crimes violentos e letais fora da capital. Ele anunciou que com o programa conseguiu essa diminuição por dois anos seguidos em Salvador e Região Metropolitana. 

Fonte: correio24horas

O Entretenimento na igreja é uma lepra - por C. H. Spurgeon

No final do século XIX, Spurgeon vislumbrou essa tendência de se trazer diversão para dentro da igreja. Na medida em que se alastrava a Controvérsia do Declínio, em 1889, a saúde de Spurgeon se tornava precária, e, por isso, ele deixou de pregar em vários domingos. Mas, em uma quinta-feira à noite, no mês de abril, Spurgeon pregou no Tabernáculo uma mensagem na qual ele afirmou: 

"Creio não estar procurando erros onde o erro não existe; mas não consigo abrir os olhos sem ver coisas sendo feitas em nossas igrejas que, há trinta anos, não eram nem sonhadas. Em termos de diversão, os professos têm avançado no caminho do relaxamento. O que é pior, as igrejas agora pensam que sua responsabilidade é entreter as pessoas. Discordantes que costumavam protestar contra a ida a um teatro, agora fazem com que o teatro venha a eles. Muitos [templos de igrejas] não deveriam receber licença para exibir peças teatrais? Se alguém fosse sério em exigir obediência às leis, não teriam de obter uma licença para que suas igrejas funcionassem como teatros? 
Tampouco ouso falar a respeito do que tem sido feito nos bazares, jantares beneficentes, etc. Se estes fossem organizados por pessoas mundanas decentes, não poderiam alcançar melhores resultados? Que extravagância ainda não foi experimentada? Que absurdo tem sido grande demais para a consciência daqueles que professam ser filhos de Deus e que não são deste mundo, mas chamados a andar com Deus em uma vida de separação? 
O mundo considera as altas pretensões de tais pessoas como hipocrisia; e, de fato, não conheço outro termo melhor para classificá-las. Imaginem aqueles que gostam da comunhão com Deus brincando de tolos, com roupas teatrais! Falam acerca do lutar com Deus na oração em secreto, mas fazem malabarismo com o mundo em uma jogatina irreconciliável. Será que isto está correto? O certo e o errado trocaram de lugar? Sem dúvida, existe uma sobriedade de comportamento que é coerente com a obra da graça no coração, e existe uma leviandade que indica que o espírito maligno está em supremacia. 

Ah! senhores, pode ter havido uma época em que os cristãos eram por demais precisos, mas não é assim em meus dias. Pode ter existido uma coisa espantosa chamada rigidez Puritana, mas eu nunca a vi. Agora estamos bem livres desse mal, se é que ele existiu. Já passamos da liberdade para a libertinagem. Ultrapassamos o dúbio e caímos no perigoso, e ninguém pode profetizar onde haveremos de parar. Onde está a santidade da igreja de Deus hoje?... Ela não passa de algo turvo, tal qual um pavio que fumega; é mais um objeto de ridicularização do que de reverência. 
Será que o grau de influência de uma igreja não pode ser medido por sua santidade? Se grandes hostes daqueles que professam ser cristãos fossem, quer em sua vida familiar, quer em seus negócios, santificados pelo Espírito, a igreja se tornaria uma grande potência no mundo. Os santos de Deus poderão lamentar juntamente com Jerusalém, ao perceberem que sua espiritualidade e santidade estão em níveis baixíssimos! Outros podem considerar isto como algo que não trará qualquer consequência; porém, nós o vemos como o irromper de uma lepra." 

Eis o desafio para a igreja de Cristo: "Purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1). Não é a engenhosidade de nossos métodos, nem as técnicas de nosso ministério, nem a perspicácia de nossos sermões que trazem poder ao nosso testemunho. É a obediência a um Deus santo e a fidelidade ao seu justo padrão em nosso viver diário. 

Precisamos acordar. O declínio é um lugar perigoso para ficarmos. Não podemos ser indiferentes. Não podemos continuar em nossa busca insensata por prazer e auto-satisfação. Somos chamados a lutar uma batalha espiritual e não poderemos ganhá-la apaziguando o inimigo. Uma igreja fraca precisa se tornar forte, e um mundo necessitado precisa ser confrontado com a mensagem de salvação; e talvez haja pouco tempo para isso. Como Paulo escreveu à igreja em Roma: "Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz" (Rm 13.11,12).

por Charles Haddon Spurgeon

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

De quem é o Evangelho?

O evangelho não é de direita, centro ou esquerda. O evangelho é de Cristo.

Vejo com preocupação as tentativas de associar e submeter o evangelho a sistemas culturais, científicos, políticos ou partidários, um crescente fenômeno global.

É certo que como cristãos devemos votar, apoiar, protestar e nos envolvermos com os sistemas sociais que apresentam afinidades com os valores do evangelho. Não para protegermos nossas posições em um movimento de corporativismo religioso, mas por entendermos que o evangelho e seus valores promovem a verdade, a liberdade e a justiça, visto que não cega, mas aguça a nossa cidadania – “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25).

Entretanto, o evangelho não se conforma a sistemas sociais, pois "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1.16). O evangelho não foi manifesto por Deus somente para melhorar a sociedade, mas para redimi-la. Não trás tranquilidade, mas paz. Não provê sucesso, mas obediência. Não se contenta com a tolerância, mas promove o amor. Não se conforma, mas transforma. Não proclama a glória dos homens, mas de Deus.

Tentativas de igualar os valores do evangelho aos sistemas sociais (culturais, científicos, políticos ou partidários) resultarão em frustrações e distorções, pois não se consegue confinar os claríssimos raios do sol em frágeis caixinhas de papelão.

No início do século 3, os cristãos se encantaram com o apoio e os favores do imperador Constantino, associando o evangelho ao império romano. No colonialismo dos séculos 15 e 16 a Igreja cristã promoveu o evangelho, associando-o a um sistema cultural, no caso o europeu, proclamando-os como complementares. Em dias atuais o evangelho tem sido comumente associado a estruturas culturais, linhas de pesquisa científica e posicionamentos sociopolíticos. Nos últimos meses, ouvimos amplas discussões norte-americanas sobre os valores democratas e republicanos e aquilo que mais se assemelharia ao evangelho. Perante tais quadros precisamos nos lembrar que o evangelho não se conforma com o mundo, mas o confronta, expõe, redime e julga.

O evangelho não é de direita, centro ou esquerda. Não é petista ou psdbista, republicano ou democrata, comunista ou capitalista. Não é da zona sul ou norte, dos países ricos ou pobres. Não segue a escola positivista de Comte ou interpretativa de Geertz. O evangelho é de Deus, tem origem em Deus, é manifesto por Deus, pela graça e justiça de Deus, para julgar o mundo e redimir um povo que dê glória a Deus.

Participei recentemente de um grupo de estudos cristãos em que a temática era o evangelho e a cultura. Alguns cristãos apresentaram posições científicas demonstrando como as ciências sociais reconhecem, em alguma medida, as verdades de Deus. A ciência social naquele caso era a antropologia e os elementos apresentados apontavam para a ética universal, o reconhecimento de que a humanidade possui verdades universais, não apenas particularismos culturais. Entendo que, semelhante a este caso, o cristão tem o privilégio de encontrar em diferentes sistemas sociais diversos valores que tenham alguma afinidade com o evangelho, como políticas públicas que promovem a liberdade e a paz, ou iniciativas privadas de assistência aos desabrigados. Entretanto, os sistemas sociais não são o crivo de avaliação do evangelho, mas sim o contrário. Em uma perspectiva bíblica, devemos avaliar todas as coisas, em qualquer área da existência, pela régua do evangelho. Sistemas sociais colaboram para que o homem compreenda a si mesmo e desenvolva padrões saudáveis de vida e relacionamento, mas não o redimem. Apenas o evangelho o faz.

Alguns anos atrás, um grupo de cristãos europeus celebrou quando estudos arqueológicos apresentaram evidências sobre histórias bíblicas, sobretudo os relatos sobre Sodoma e Gomorra. Algo semelhante foi publicado na mídia cristã em 2016 a respeito de novas descobertas arqueológicas que apoiam o relato bíblico da travessia do mar vermelho pelo povo de Deus, especialmente antigos artefatos de guerra e carruagens encontrados em um ponto no fundo do mar. É sempre interessante ver como as ciências vão reconhecendo os relatos bíblicos, mas não são os achados arqueológicos, teorias científicas ou posicionamentos políticos e partidários que validam a nossa fé. Ao contrário, é pela fé e com os olhos da fé que devemos olhar para todas as coisas e entendê-las dentro de uma cosmovisão cristã, como reveladas por Deus (Hb 11).

Percebo que tentativas de associar e submeter o evangelho aos sistemas sociais têm ocorrido nas diversas esferas do saber ou fazer humano e precisamos de discernimento cristão para nos posicionarmos. Creio que devemos apoiar, promover e participar do que for justo e bom em nossa sociedade, bem como repudiar, protestar e boicotar aquilo que for degradante e corrosivo, mas sem nos iludirmos com as soluções humanas, pois estas não podem nos salvar. Ao fim do dia, a postura essencial do povo de Deus continua sendo aquela que Paulo ensinou a Timóteo: “prega a palavra, quer seja oportuno quer não…” (2Tm 4.2). E declara que esta pregação deve acontecer com perseverante paciência (“toda longanimidade”) e fidelidade bíblica (“doutrina”), usando três verbos que devem marcar a apresentação do evangelho: “corrige”, (do grego elegcho: apontar o erro, mesmo quando inconveniente), “repreende” (do grego epitimao: apresentar claramente as consequências do pecado), e “exorta” (do grego parakaleo: trazer para o lado, consolar, confortar). O evangelho de Deus, apresentado nos critérios de Deus, faz sempre estes dois movimentos: confronta o pecador, lançando luz sobre o seu pecado, e apresenta a graça de Deus, capaz de perdoar e redimir.

O evangelho é o crivo de compreensão e avaliação de nossas vidas, relacionamentos, igreja, fé, cultura, ciência, política e sociedade. Paul Hiebert, missionário-antropólogo, nos ensinou que o evangelho transforma o homem em três dimensões: suas convicções, seu comportamento e sua cosmovisão. Passamos a crer diferente, agir diferente e ver o mundo diferente, com as lentes do evangelho de Deus.

O evangelho é supracultural, revelação de Deus a todas as culturas. É multicultural, pois visa trazer pessoas de todas as tribos, povos, línguas e nações ao Senhor Jesus. É intercultural, visto que estas pessoas, redimidas, passam a ter comunhão e fazer parte de um só corpo. É cultural, pois foi revelado por Deus em nosso tempo e história. É transcultural, devendo ser levado de uma cultura para outra cultura. É contracultural, pois confronta o homem em sua própria cultura, trazendo-o das trevas para a luz.

Fujamos das ideias alienantes que propõem uma espécie de clausura cristã, sugerindo que observemos a deterioração da humanidade sem qualquer reação, a não ser o afastamento, perdendo o privilégio de chorar com os que choram e de ser sal e luz, como nos induzindo a pedir a Deus aquilo que o próprio Cristo não pediu – tirar-nos do mundo. Na outra ponta, fujamos também das propostas antropocêntricas que desejam tornar o cristão apenas em um bom cidadão – e a cidade uma boa cidade – como se a Igreja fosse vocacionada para ser uma boa ONG com alguns diferenciais de espiritualidade. A proposta do evangelho vai muito além destas percepções, pois faz com que o cristão se revolte contra o pecado, se sensibilize com o sofrimento alheio e tenha imensa sede de apresentar a verdade que, em Cristo, redime o homem e glorifica a Deus.

Na Palavra Sagrada o evangelho é apresentado por uma história – a maior e mais fantástica história de nossas vidas: Deus amorosamente criou a humanidade para com Ele se relacionar, mas a humanidade se perdeu, corrompida pelo pecado, cobiçando ser algo diferente da sua natureza e se afastando do Criador. Movido por profundo amor e indizível graça o Eterno se encarnou em homem, Jesus Cristo, para pagar o preço do nosso pecado, nossa impagável dívida. Ele se fez maldição em nosso lugar, morreu crucificado e o seu sangue comprou para Deus pessoas de todas as tribos, povos, línguas e nações, dando paz aos homens para que estes possam dar glórias a Deus. A morte não o segurou, pois ressuscitou, sendo Ele Rei dos reis e Senhor dos senhores, Salvador de todo aquele que crê. Está presente, pelo Espírito Santo, que conduz a Sua Igreja a amar, seguir e proclamar a todos sobre o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Voltará para julgar vivos e mortos e levar os Seus, finalizando este impensável plano de amor, sacrifício, perdão, redenção e glória (Gn 1.1; Rm 3.23; Jo 3.16; Rm 1.1-5; Mt 16.27; Ap 5.9)

Em qualquer esfera de relacionamento, trabalho, estudo, engajamento político, social ou desenvolvimento científico, coloquemos o evangelho em tudo o que somos, falamos e fazemos. E lembremo-nos: o evangelho jamais se conforma. Se a mensagem que proclamamos não confronta e constrange o mundo – e também nossos próprios corações – precisamos rever o que de fato estamos pregando, se o evangelho ou outra coisa.

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• Ronaldo Lidório é pastor presbiteriano, antropólogo e missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e da WEC. É organizador de Indígenas do Brasil; avaliando a missão da igreja e A Questão Indígena – uma luta desigual.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Cento e vinte soldados são incorporados à Polícia Militar

Novos policiais e viaturas foram apresentados na manhã desta terça-feira (31), em solenidade realizada do Centro de Formação e Aperfeiçoamento das Praças da Polícia Militar (CFAP), no Alto de Ondina. Cento e vinte soldados, 21 mulheres e 99 homens, foram recebidos pelo subsecretário da Segurança Pública, Ary Pereira de Oliveira, e pelo comandante-geral da PM, coronel Anselmo Brandão. Na ocasião também foram entregues 30 novas motocicletas, aumentando a frota do Esquadrão Águia, unidade responsável por diversas ações preventivas de segurança. “Este é um momento de comemoração. Para quem sonha em defender a sociedade, o momento da conclusão do curso é a realização de um sonho. São todos muito bem-vindos”, afirmou Oliveira. Com a chegada do novo efetivo, sobe para mais de 2500 o número de soldados incorporados na Polícia Militar nos últimos dois anos. Já o comandante-geral ressaltou a importância do policial ser exemplo de defesa para toda a sociedade. “Nossa profissão não é fácil, mas a vontade de ajudar o próximo e de lutar para um mundo melhor está acima de qualquer dificuldade que venha a aparecer”, disse Brandão. Na ocasião, as mortes dos soldados Everton Oliveira de Santana e Gilberto Lemos Silva Júnior, lotados no 38ª Companhia Independente da Polícia Militar (Bom Jesus da Lapa) enquanto defendiam os interesses da sociedade foram lembrados. “Não vamos esquecer, nem sossegar enquanto os responsáveis por estes atos não pagarem pelos atos covardes”, ressaltou.

Chuva e sol, casamento de homossexual?

Se eu disser que estou cansada de tanto que se fala da questão da homoafetividade nos nossos tempos, entrarei em contradição, já que eu mesma resolvi escrever mais uma vez sobre o assunto.

Isso porque eu me vi na obrigação de dar uma resposta a todos àqueles cristãos amigos que, desde a aprovação da lei federal americana que permite o casamento gay em todos os EUA, têm usado em seu Facebook a foto nas cores características do movimento.

Eu pensei comigo: “Pera lá, alguma coisa tá errada” e questionei um amigo, que é padre, e nas horas vagas, se chama também de pastor. Ele me disse que só estava dando o seu apoio ao igualitarismo e me perguntou se eu era contra. Eu disse que respeitava os gays e cia, e que era contra a homofobia, mas que não via motivo para comemoração e apoio aberto à legalização do casamento, que já vai um passo além.
Depois de ele me questionar de que planeta eu era e insinuar que minhas visões eram medievais, eu então pedi que ele refletisse melhor sobre o que entende por “medieval”, pois esse termo, além de não ser um xingamento, como para muitos o é, se refere a um período da história muito mal interpretado pelo homem moderno (e ainda mais o pós-moderno). Muitos historiadores reconhecidos estão se esforçando por rever esse equívoco, dada a riqueza de conhecimentos e avanços até mesmo tecnológicos que essa era proporcionou.

Em seguida, eu disse que não me importo de ser taxada de “careta”, se a minha visão for justa. Então, ele me perguntou se eu ainda tinha o hábito antiquado de seguir a Bíblia e levantou certos argumentos sobre o divórcio a visão do apóstolo Paulo sobre as mulheres (que devem “permanecer caladas na igreja”) afirmando que a causa dos gays é igual à causa das mulheres e dos negros.

Aí, mais uma vez, eu pacientemente lhe dei os motivos bíblicos contra esses argumentos (que não vêm ao caso reproduzir aqui) e neguei que seja a mesma coisa, pois no caso das mulheres e dos negros, há um direito humano em questão e no caso dos gays, trata-se de um direito sexual e de relacionamento. Como os próprios gays dizem, é uma questão de opção e nunca vi uma pessoa poder reivindicar direitos sobre algo que ela escolheu de livre espontânea vontade e, portanto, está consciente de que terá que arcar com eventuais consequências.

Por exemplo, uma mulher não opta por deixar de ser surrada, nem um negro, por ser respeitado, pois esses são direitos de toda pessoa humana. Agora, a pessoa humana não tem o direito de mudar o seu comportamento sexual, isso é uma opção.

Para evitar esse tipo de contradição, discute-se, no momento, até a mudança do texto clássico da Declaração Universal dos Direitos Humanos para se incluir o direito de mudar de sexo ou orientação sexual. Se isso acontecer, a meu ver, será o “fim da picada”, pois o ser humano terá subido às raias da negação de tudo o que seja natural e daqui a pouco será proibido de namorar ou casar-se com pessoas do outro sexo.

Veja, não estou falando das pessoas que nasceram com dois sexos, por uma questão congênita. Essas sim, têm o direito de escolher. Mas falo daquelas pessoas que acham que podem lavar louças na máquina de lavar roupas, com o perdão de uma metáfora tão mecânica.

C.S. Lewis tinha uma convicção firme de que exista aí uma Lei natural que deve ser observada, pelo simples fato de que existe aí um Criador que criou o homem com uma natureza, que não é determinista, mas determinada.

Lewis foi o primeiro, já na sua época, a protestar contra o subjetivismo, que declara que não haja absolutos e que a realidade é só o que aparenta aos olhos da subjetividade humana, e contra o relativismo moral.

E segundo a Bíblia (meu amigo que me perdoe usar recurso tão “medieval”), Deus criou homem e mulher e nenhum ser a mais, que fosse por natureza gay, lésbica ou as combinações possíveis entre eles. Essa lei pode ser infringida pela humanidade sim, porque Deus deu o livre-arbítrio ao ser humano. Mas daí a alterar os direitos humanos e a lei para que eles se encaixem no gosto da moda e se inventem direitos especiais... (cada vez mais numerosos, notaram? Já falei aqui).

Dizem até que futuramente será proibido falar em “pai” e “mãe” na escola e até as crianças chamarem seus pais de “pai” e “mãe” em casa, podendo apenas chamá-los pelo nome -- o que seria a ficção do “Admirável Mundo Novo” se tornando verdade.
Para citar novamente a Bíblia, com relação à questão específica da homossexualidade e suas consequências, Paulo é claro em Romanos 1.26 e 27.

Enfim, gostaria, para terminar - por falta de espaço - citar o livro que estou lendo de Brennan Manning, “O Impostor que vive em mim”:

A moralidade "vale-tudo" de religiosos e políticos de esquerda é equivalente ao moralismo santarrão da direita. A aceitação não crítica de qualquer uma das linhas partidárias é uma abdicação idólatra à essência da identidade como filho de Deus. Nem o pó mágico liberal nem o jogo pesado dos conservadores se referem à dignidade humana, que sempre está vestida com farrapos.

Os filhos de Aba encontram uma terceira opção. São guiados pela Palavra de Deus e apenas por ela. Todos os sistemas religiosos e políticos, tanto de direita quanto de esquerda, são obras de seres humanos. Os filhos de Deus não venderão seus direitos à primogenitura por nenhum prato de ensopado, seja conservador ou liberal. Eles se apegam à liberdade em Cristo para viver o evangelho — não contaminados pela má qualidade cultural, pelos destroços de naufrágio político e pelas hipocrisias filigranadas das bravatas religiosas. (MANNING, 2006, p. 46).1


É mestre e doutora em educação (USP) e doutora em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br

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