
Depois de 10 anos de promessas, atrasos,
adiamentos, testes, críticas de especialistas e até contestação judicial, surge
um novo impasse para o monitoramento de presos do semiaberto por meio de
tornozeleiras eletrônicas: a maioria não aceita usar o equipamento. Detentos
preferem ficar em albergues com reduzido controle humano do que a liberdade
vigiada virtualmente. É mais um sintoma do caos prisional. Como o uso de
tornozeleiras não é obrigatório, até o momento apenas 30 na Região Metropolitana
concordaram em acoplar o equipamento ao corpo. O desinteresse poderá comprometer
a meta do governo do Estado de implantar tornozeleiras em 400 apenados a partir
da semana que vem (com previsão de chegar a mil até o final do ano). Preocupado,
o titular da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Gelson
Treiesleben, estuda medidas para contornar mais esse entrave. – Estamos
conversando com o secretário (da Segurança Pública, Airton Michels) – resume o
superintendente da Susepe. Uma das alternativas estudadas pela Susepe seria
condicionar o uso das tornozeleiras ao trabalho. Só poderia sair para o
trabalhar o apenado que aceitasse usar as algemas eletrônicas. Mas não há
garantia de que essa regra aumente o interesse. Em razão da vigilância precária
dos albergues, presos sem trabalho externo também saem às ruas para assaltar,
matar e traficar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIOS