Na prática, sabe-se que a estrutura não é lá a necessária, e se, por um lado, vem deixando a desejar quanto à segurança dos policiais empregados nas unidades, por outro, ainda proporciona à população, em alguns casos, práticas heterodoxas de uso da força policial, ligadas a uma (i)lógica repressiva arbitrária que acaba submetendo os moradores das favelas a desmandos e práticas invasivas.
Denúncias de fatos deste tipo perpetrados por policiais têm ocorrido principalmente no momento em que as “forças de ocupação” começam a agir visando prender criminosos e apreender drogas e armas da comunidade a ser pacificada: é como se a favela fosse “limpa”, antes do policiamento da UPP ser instalado. O problema é que esta ocupação tem gerado incômodo em muitos moradores: não porque armas, drogas e criminosos são retirados de circulação, mas porque, denunciam, sob a alegação de ocupar a comunidade, as forças policiais têm excedido seus poderes legais, invadindo domicílios, por exemplo. A situação chegou a tal ponto que moradores da Maré, um complexo de favelas cariocas, tiveram que colar adesivos com os seguintes dizeres nas portas de casa:
Como disse anteriormente: acontecimentos como esse parecem demonstrar o quanto o ‘espírito’ das polícias ainda está bem distante do apresentado pela publicidade governamental. Nossas instituições ainda não têm condições de sustentar projetos com referência na mediação democrática, humanitária, cidadã. Aliás, os próprios policiais sequer são tratados como tal, como sabemos. Triste, vergonhoso e absurdo.
Com informações e fotos de Silvia Ramos e Cecília Oliveira.
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