segunda-feira, 15 de abril de 2013

Caetano Veloso diz que pastor Marco Feliciano mentiu quando falou sobre sua carreira: “Ele está dominado pela soberba”. Leia na íntegra

Caetano Veloso diz que pastor Marco Feliciano mentiu quando falou sobre sua carreira: “Ele está dominado pela soberba”. Leia na íntegra

Personagem de um dos sermões polêmicos e recentes do pastor Marco Feliciano, o cantor Caetano Veloso publicou um artigo rebatendo as afirmações feitas contra ele de que teria consagrado músicas ao diabo para obter sucesso.
Visite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica GospelEm seu texto, Veloso afirma que “as pessoas religiosas deveriam observar o quanto ele está dominado pela soberba”, e que para fazer seu discurso soar verdadeiro, “aferra-se à mentira”.
Caetano Veloso critica a postura adotada pelo pastor Feliciano dizendo que “’levantar falso testemunho’ é condenado pelo Deus de Moisés” e pergunta: “Como pode falar em nome de Deus quem mente com tão evidente consciência de que está mentindo?”.
A indignação do cantor baiano é evidenciada em sua narrativa a respeito da música citada pelo pastor durante sua pregação: “Como pode ele, sem piedade daqueles que com tanta confiança o ouvem em seu templo, afirmar que eu disse em entrevista coisa que nunca disse e nunca diria, ou seja, que o êxito inesperado de minha versão de ‘Sozinho’ se deveu a eu ter mostrado a faixa a Mãe Menininha e esta ter-lhe posto uma bênção que, para Feliciano, seria trabalho do diabo? Mãe Menininha, figura importante da história cultural brasileira, já tinha morrido fazia cerca de dez anos quando gravei a canção”, relata.
De acordo com Caetano Veloso, nenhuma de suas músicas compostas ou gravadas foram levadas a Mãe Menininha, e que seu sucesso se dá apenas por seus méritos: “Feliciano sabe que eu nunca dei tal entrevista. Mas não se peja de impressionar seus ouvintes gritando que eu o fiz. Ele, no entanto, não sabe que eu jamais sequer mostrei qualquer canção minha à famosa ialorixá. Nem a Nossa Senhora da Purificação eu peço sucesso na carreira. Nunca pedi. Nem a Deus, nem aos deuses, e muito menos ao diabo”, escreveu o cantor, que complementou dizendo: “Decepciono muitos amigos por não ser religioso. Mas respeito cada vez mais as religiões. Vejo mesmo no cristianismo algo fundamental do mundo moderno, algo inescapável, que é pano de fundo de nossas vidas. Mas não sou ligado a nenhuma instituição religiosa”, pontuou.
Veloso pede, em seu texto, uma punição ao pastor Marco Feliciano, no âmbito religioso: “Os homens crentes devem tomar atitude mais séria em relação a episódios como esse. O que menos desejo é ver o Brasil dividido por uma polaridade idiota, em que, de um lado, se unem os que querem avanços nos costumes, e de outro, os que necessitam fundamentos de fé, ambos gritando mais do que o conveniente, e alguns, como Feliciano, saindo dos limites do respeito humano”.
Com ironia, Caetano Veloso afirma que gostaria de dialogar com representantes da religião sobre o atual embate social envolvendo ativistas diversos e religiosos: “Eu preferiria dialogar com crentes honestos (ou ao menos lúcidos). Não aqueles que já se põem a uma distância segura da onda neopentecostal. Eu gostaria de dialogar com um Silas Malafaia, de quem tanto discordo, mas que respeita regras da retórica e da lógica. Marina Silva seria ideal, mas poupemo-la”, afirmou, antes de finalizar com um novo ataque ao pastor: “Se Feliciano precisa, para afirmar sua postura religiosa, criar uma caricatura caluniosa dos baianos e da Bahia, algo é muito frágil em sua fé. A maré montante do evangelismo não dá direito à soberba irrefreada. O boneco tem pés de barro. E cairá. Eu creio na justiça e na verdade. Esses valores atribuídos a Deus têm minha adesão irrestrita. Não sei que Deus sustenta a injustiça e a mentira. Ou será que é aí que o diabo está?”.
Confira abaixo, a íntegra do artigo “Ainda Feliciano?”, de Caetano Veloso, em sua coluna no site do jornal O Globo.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+
 

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